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Missões jesuíticas: roteiro de 1 dia em São Nicolau (RS)

Para quem faz uma viagem pelas principais cidades da região das Missões, indicamos um roteiro de 1 dia em São Nicolau (RS). O município pode ser uma parada interessante, porque complementa a visita aos sítios arqueológicos, em São Miguel das Missões, Entre-Ijuís e São Luiz Gonzaga

A pequena cidade de São Nicolau tem cerca de 5 mil habitantes e encanta pela simplicidade, hospitalidade e história.

Na nossa visita a São Nicolau, em setembro de 2020, encontramos uma cidade organizada e com pontos turísticos que remetem ao período jesuítico-missioneiro e honram as raízes da cidade.

Por ter sido a primeira redução jesuítica, fundada em 1626, o município é considerado a primeira querência do Rio Grande do Sul, o que é motivo de orgulho para os moradores. Para quem gosta de curiosidades, o nome da cidade é uma homenagem ao Padre Nicolau Duran Mastrilli.

Separamos o que fazer em São Nicolau, e o que que não pode ficar de fora da visita à cidade que faz parte de um pedacinho da história do Rio Grande do Sul.

O que fazer em São Nicolau 

Sítio Arqueológico e Adega Jesuítica

O principal ponto turístico de São Nicolau está localizado na Praça Central, chamada Padre Roque Gonzáles de Santa Cruz. O Sítio Arqueológico de São Nicolau fica ali e está sempre aberto para visitação, que é gratuita.

Amplo, com muita área verde e cercado por árvores, o Sítio de São Nicolau preserva ruínas como a de um cabildo, lugar onde funcionava a sede administrativa da redução, e os restos de uma Igreja, que ainda tem o piso original e parte das paredes externas em pedras de arenito.

Na frente da praça, apenas atravessando a rua, está a adega jesuítica, uma outra importante construção do período das reduções.

A adega jesuítica é construída em pedra de arenito e para chegar na parte de dentro é preciso descer algumas escadas. Quando a gente desce, consegue perceber a mudança de temperatura – necessária para guardar alimentos perecíveis da época!

Casa de Pedra e Sala de Exposição

Andando um pouco depois da Praça, está a Casa de Pedra, construída por índios. É um local tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado pelo IPHAE.

Ao lado da Casa de Pedra está a Sala de Exposição de São Nicolau, que funciona como um museu, com peças encontradas em 1979 durante uma escavação do Iphan. Elas formam um belo acervo voltado para a arte guaranítica. 

No local, existem três vitrinas compostas de cerâmica guaranítica, uma com materiais de ferro e outra com amostras de piso e de lápides de túmulos com letreiro tupi-guarani. Todas as peças trazem alguma história contada na exposição.

O lugar é muito bem organizado e traz toda a memória dos tempos das reduções jesuíticas, simplesmente incrível!

Sobrado Silva

Outro ponto importante de São Nicolau é o Sobrado da Família Silva, que fica a algumas quadras da praça central. A construção tem grande valor histórico e arquitetônico, tendo pertencido ao Coronel Inocêncio Silva, que foi Coronel da Guarda Nacional. 

No antigo casarão teriam ocorrido reuniões, festivas, recepção e acolhimento de visitantes da época, além de ter sido palco de reuniões que culminaram com a Coluna Prestes.

A entrada nesta ruína é gratuita.

Artes do Diri

São Nicolau também tem talentos locais na área das artes. Um exemplo é o artista Diri, que trabalha há 20 anos esculpindo objetos e lembranças em pedras de areia.

São vários tipos de arte. O Atelier do Diri faz miniaturas das ruínas jesuíticas, troféus para eventos, fachadas de empresas e cruzes missioneiras.

Diri, que é o apelido do Regesmar Martins dos Santos, também trabalha com encomendas e vende artesanato para outras cidades, entre elas Gramado e Canela, na Serra Gaúcha. Os preços dos artesanatos custam a partir de R$ 6. 

O trabalho é feito na residência de Diri, e o processo de esculpir é feito com muita minúcia e dedicação. E o resultado são artes muito bonitas e com detalhes fantásticos!

Para quem quiser conhecer o trabalho feito pelo Diri, pode agendar diretamente com ele, pelo fone (55) 99107-5820.

Café de cambona

Claro que não podíamos sair da cidade sem provar um delicioso café de cambona, que inclusive é tema de uma festa realizada anualmente no município.

O café de cambona é feito em um utensílio – a cambona – que era muito utilizado pelos tropeiros. Eles introduziam na cambona o carvão ainda em brasa, na água que era fervida em fogo de chão. 

O hábito continuou na cidade e o resultado é um café saboroso. Para nossa experiência, foi montada uma bela mesa com bolo frito, bolo de milho com goiabada, sanduíches, queijo, schmier e outras delícias. Adoramos o final de tarde por lá!

Para quem quiser provar o imperdível café de cambona é preciso agendar pelo fone (55) 99958-1951. O valor é de R$ 30 por pessoa. Para grupos, são feitos valores especiais.

 Texto da jornalista Nicole Fritzen

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