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Santo Antônio das Missões (RS): roteiro pela cultura missioneira

Santo Antônio das Missões (RS) é uma pequena cidade que fica a cerca de 30 km de São Luiz Gonzaga e tem um interessante roteiro pela cultura gaúcha e missioneira. 

É uma cidade povoada por gente simples, hospitaleira e orgulhosa das suas origens! Estivemos em Santo Antônio das Missões em setembro de 2020 e tivemos uma ótima surpresa ao conhecer seus atrativos.

Logo que chegamos, encontramos uma estátua de Santo Antônio. A obra dá as boas-vindas e apresenta um lugar que guarda e preserva as tradições gaúchas e também familiares.

O município se destaca pelo artesanato familiar e pela produção de lã e couro. Os talentos e as tradições são passados de geração para geração, e honram o trabalho feito na cidade. 

Visitamos os principais pontos turísticos da cidade, que tem muita história e é caracterizada pelo trabalho, talento e dedicação do seu povo. O roteiro é curtinho e pode ser feito em um dia ou, se tiver pressa, em um turno.

O que fazer em Santo Antônio das Missões

Museu Monsenhor Estanislau Wolski 

O Museu Municipal Monsenhor Estanislau Wolski homenageia o padre polonês que descobriu o Caaró, em Caibaté.

Muito bem cuidado e organizado, o museu é Patrimônio Cultural da cidade. Tem acervo de 73 peças que remetem ao período jesuítico-missioneiro, como miniaturas de anjos e santos em madeira que foram esculpidas pelos índios. 

Localizado no centro da cidade, guarda muitas memórias e recordações do passado missioneiro da cidade. O museu também abriga instrumentos e utensílios do século XIX, entre eles aparelhos telefônicos, espadas de guerra e vários outros objetos históricos. 

Rincão da Família Camargo

Nossa primeira atividade em Santo Antônio das Missões foi conhecer um pouco da produção de artesanato de couro. Há mais de 50 anos, a família Camargo mantém as tradições e passa de geração em geração o trabalho com o artesanato.

O Rincão dos Camargo é uma propriedade familiar de Santo Antônio das Missões, onde são produzidos artesanatos de couro. Ao todo, são 20 famílias, todas elas descendentes dos Camargo e Gamarra, sobrenomes dos patriarcas que iniciaram o trabalho.

Quando chegamos na cidade, eles se reuniram na Associação do bairro onde moram para mostrar os produtos que vendem. São muitas possibilidades, que vão de chaveiros, porta cuias e laços até bainhas de faca e cintas. 

Aos 64 anos, seu Abrelino Cavalheiro é casado com Eloisa Camargo Cavalheiro, e por meio da esposa descobriu a paixão pelo artesanato. Há 40 anos, ele produz peças diariamente, em um trabalho que une hobby e profissionalismo.

O filho dele, Douglas Camargo, cresceu vendo os pais trabalharem no ramo e também aprendeu a produzir. Na família todos produzem alguma peça diferente e ninguém deixou de lado a tradição familiar. 

Os preços dos artesanatos custam a partir de R$ 15, e há uma extensa diversidade de produtos. Boa parte dos produtos são vendidos em lojas, artesanatos e feiras.

Anualmente, eles participam de eventos como a Expointer e o Rodeio de Vacaria, e divulgam o trabalho para muito além de Santo Antônio das Missões.

É um verdadeiro rincão de talento, tradição e muito trabalho!

Paróquia Santo Antônio

A Igreja da cidade, chamada de Paróquia Santo Antônio, chama atenção pela arquitetura diferenciada. A parte externa é verde, com uma bela imagem do padroeiro logo acima da porta de entrada. 

O interior da igreja tem ambiente renovado, com uma belíssima Via Sacra e imagens de diversos Santos ao longo do local.

Piquete dos Farrapos

Além das tradições missioneiras, Santo Antônio das Missões também cultiva os costumes gaúchos. O exemplo mais marcante disso é o Piquete dos Farrapos, fundado em 1991 e que desde 2001 tem sede própria na cidade.

Ao chegar no local, conhecemos uma família muito unida, que respira e honra as tradições gaúchas e transmite a cultura de geração para geração. O Piquete foi fundado pelo patriarca da família, Alberto Valeriano Ferreira, mais conhecido como “Betão”, famoso tradicionalista que era considerado um dos principais muleiros do Rio Grande do Sul e que faleceu em 2013.

Hoje, o Piquete dos Farrapos é administrado pela família do tradicionalista, que deixou oito filhos. No local, costumavam ser realizados diversos eventos, como fandangos, jantares dançantes, almoços e bingos, além de movimentar a cidade no dia 20 de setembro, dia do gaúcho.

Por conta da pandemia, o Piquete teve que se reinventar e hoje realiza ações como um “pague e leve”, um formato de busca de comida, onde os proprietários preparam os pratos de comida e comercializam para a população.

O lugar guarda e preserva a história gaúcha, com muitas peças que simbolizam o tradicionalismo e a lida campeira.

Também fomos recebidas com um café da tarde muito especial, com bolo de milho e uma “cueca virada” caseira.

O Piquete pode ser visitado mediante agendamento, e a certeza é que os visitantes conhecerão um lugar cercado por muitas histórias e tradições e com pessoas hospitaleiras e carismáticas.

Texto da jornalista Nicole Fritzen

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