O que fazer em Nova Petrópolis (RS): Um guia pela cidade
11 de janeiro de 2021

Siriú (SC): Um destino para reiniciar

Era final de 2019 e eu sabia que precisava de uma virada de ano memorável. O ano não tinha sido dos melhores, mas, pensando bem, frente a uma pandemia em 2020, talvez não tenha sido tão ruim assim. Acredito que existem anos em que precisamos evoluir por bem ou por mal. Pois então: Quase todas as minhas inseguranças foram testadas em 2019. Então precisava respirar e “reiniciar”. 

Eu e meu namorado, o Fernando, decidimos que nossa virada de ano seria em Garopaba (SC), a 417 quilômetros de Nova Petrópolis (RS), cidade onde resido, na Serra Gaúcha. Optamos por ficar na praia do Siriú em um camping. Já acampamos outras vezes, logo, tínhamos estrutura. Além disso, foi o modo que encontramos para deixar a viagem bem mais barata – Gastamos R$ 600 para duas pessoas acamparem por 8 dias. 

Partimos no dia do meu aniversário: 28 de dezembro. Era um dia ensolarado e fazia calor. Ao passar pela ponte de Laguna e ver aquela água toda embaixo de mim, pensei: Que presente de dia. 

Chegamos ao camping no final da tarde e precisávamos montar nosso acampamento. O local é bem amplo e arborizado, detalhe importante principalmente para quem vai acampar no verão. Ninguém merece acordar com o sol esquentando a barraca logo cedo. 

A estrutura era ótima – havia água quente nos chuveiros e a limpeza dos banheiros era rigorosa. As cozinhas tinham geladeira, fogão, churrasqueira e panelas. Esvaziamos o porta malas, que estava cheio com uma barraca, colchão inflável, lonas, cordas, itens para cozinhar, comida, garrafas de espumante e nossas malas. 

Começamos muito bem ao, de cara, fazer amizade com os “vizinhos” de acampamento: uma família de Farroupilha (RS) que saiu para passar 20 dias acampada com um bebê de 1 ano e 9 meses, o Miguel. Achei o máximo. “Se precisarem de mais cordas, é só pedir. Tenho várias”, disse Anderson, o pai. Com eles, mais do que as cordas, dividimos comida, bebidas, pomadas para picadas de insetos e histórias. 

Réveillon: o xixi mais caro da minha vida! 

Estávamos a cerca de 15 minutos a pé da praia do Siriú. Por meio de um atalho, que exigia que atravessássemos uma ponte torta por cima do Rio do Poeta, chegar à praia já era uma aventura. Aliás, ela é para todos os gostos, já que tem mar e uma lagoa que quase encontra o oceano.

Para quem gosta de curtir um dia de sol com a família em um local sem muito movimento, é a praia ideal. Por lá é possível alugar caiaques e pranchas para stand up paddle. 

Um dos locais que mais atraem turistas ao local são as Dunas do Siriú. Ao subir escadinhas de madeira para chegar no topo, é possível visualizar o mar bem ao horizonte. Também há a possibilidade de descer as dunas com pranchas de sandboard. Não fiz isso, mas pelas gargalhadas que escutei, parece ser divertido. 

As dunas quase invadem a estrada, então a placa de onde era uma parada de ônibus rende fotos criativas.

Passamos a virada do ano no centro de Garopaba com um casal de amigos que, em cima da hora, decidiu acampar conosco. “Jéssica, ainda tem lugar aí?” perguntou o Leandro. Eu disse que sim. 

Algumas horas depois, ele e a namorada, Shaiana, chegaram para nos fazer companhia. A barraca e o colchão deles foram comprados em uma loja na beira da BR-101. Certamente a viagem ficou ainda mais especial com eles.

Detalhe curioso: Na verdade estávamos entre 5. É que a Maria Valentina já estava a caminho na barriga da mamãe Shaiana, mas ninguém sabia! Já sabemos que vai ser aventureira como os pais. 

A noite do réveillon estava quente e estrelada. A praia, lotada. E foi nessa noite fiz o xixi mais caro da minha vida. Paguei R$ 10 para ter acesso a um vaso sanitário limpo e papel higiênico! 

Os banheiros químicos tinham filas enormes e eu não poderia esperar muito, visto que todas as garrafas de espumante que levamos já haviam sido consumidas. Também não tive a coragem de outras mulheres que, no desespero, aliviaram a necessidade no mar mesmo. Passei quase uma hora procurando por um banheiro em várias tentativas frustradas. Encontrei ele no restaurante que parecia ser o mais caro da rua. Paguei os R$ 10 e saí muito feliz – e aliviada. 

Nosso penúltimo dia de viagem foi marcado por uma experiência incrível. O dia no Siriú amanheceu nublado e a previsão era de chuva. 

O casal que estava conosco já havia ido embora. Decidimos pegar a estrada e partir para praias mais ao norte do litoral catarinense, onde a previsão era de sol. Levantamos bem cedo e, após algumas tentativas frustradas de entrar em Bombinhas devido ao grande movimento, encontramos Governador Celso Ramos.

Foi uma surpresa. Aleatoriamente, escolhemos a praia de Ganchos de Fora para passar o dia. O local é uma vila de pescadores e conta com estrutura simples. Levamos suco, água e sanduíches para evitar gastos. Ah, detalhe: amanheci mal do estômago naquele dia e torci para não passar mal no caminho. Sabem como é: Praia, cerveja, caipirinhas de vários sabores… Os sanduíches me pareciam a refeição mais segura a ser consumida.

 Curiosos que eu e Fernando somos, decidimos ver o que havia do outro lado de uma fresta entre pedras ao final da praia, pois víamos pessoas saindo de lá. Eis a surpresa: Uma pequena faixa de areia e um mar incrivelmente esverdeado. UAU, pensei. Mergulhamos, comemos, fizemos muitas fotos e deixamos nossa pele absorver todo o sol que aquele dia nos oferecia. 

Olhando para aquele horizonte, que nunca esteve nos planos iniciais da viagem, agradeci ao acaso pelo presente. Eu, que andava tão descrente em 2019, precisei admitir que tudo é passageiro e pode melhorar. Era exatamente daquela viagem que eu precisava. O ano podia começar. Eu estava pronta. 

Jéssica Zang – Jornalista, viajante e apaixonada por boas histórias.

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