EUA têm queda no turismo internacional, mas busca estratégias para incentivar viagens 

ponto turístico em san antonio, no texas

EUA têm queda no turismo internacional, mas busca estratégias para incentivar viagens 

Apesar de o turismo global ter crescido mais de 10% no último ano, os Estados Unidos registraram uma queda de 5% na chegada de visitantes internacionais. 

O dado foi destacado por Geoff Freeman, CEO da U.S Travel Association, durante uma apresentação na IPW, maior feira de turismo dos EUA, que ocorreu entre os dias 17 e 22 de maio em Fort Lauderdale. 

O CEO reconheceu os desafios na percepção do país como destino turístico e apontou uma série de medidas para fortalecer o turismo nos próximos anos.

Segundo Freeman, a diminuição do fluxo de turistas no país pode ser explicada por uma série de fatores. Entre eles, a valorização do dólar, dificuldades logísticas para viajantes asiáticos devido às restrições de voos sobre o espaço aéreo russo, além de preocupações relacionadas à entrada no país e às políticas migratórias.

Ainda assim, os Estados Unidos receberam 68 milhões de turistas internacionais no último ano, tornando-se o terceiro país mais visitado do mundo. A avaliação é de que, apesar da retração, o país ainda é altamente desejado, especialmente na América Latina, onde mercados como Brasil, México, Argentina e Colômbia seguem em crescimento.

Insegurança é um dos principais motivos

Um dos motivos destacados para explicar a diminuição de turistas é a percepção de insegurança entre os viajantes internacionais no momento da imigração. 

De acordo com o CEO, muitos turistas demonstram receio de serem detidos na chegada ou terem dispositivos eletrônicos revistados pelas autoridades americanas.

“Essa preocupação aparece repetidamente nas conversas com viajantes”, afirmou Freeman, destacando que a percepção negativa, muitas vezes, é impulsionada por relatos compartilhados na mídia e nas redes sociais.

Porém, segundo o CEO, os números não mostram um aumento nas inspeções secundárias ou nas buscas em dispositivos eletrônicos. Ele aponta que os índices atuais são semelhantes aos registrados em administrações anteriores, mas que a percepção pública acaba influenciando diretamente a decisão de viajar.

Outro tema que preocupa o setor turístico é a proposta de ampliação das exigências do ESTA, o sistema eletrônico utilizado por turistas de países isentos de visto para entrar nos Estados Unidos. 

Entre as mudanças discutidas estariam a coleta de informações de redes sociais e dados de familiares dos viajantes.

Em seu pronunciamento, Freeman afirmou que houve forte mobilização do setor contra a medida, considerada excessiva e potencialmente prejudicial ao fluxo internacional. Segundo ele, a pressão conseguiu, ao menos, adiar a implementação da proposta.

Outra medida criticada foi a criação de uma nova taxa de US$ 250 para viajantes que precisam solicitar visto para ingressar no país. 

Estratégias para conter a crise

Ao mesmo tempo, Freeman destacou uma série de investimentos recentes considerados positivos para melhorar a experiência dos visitantes internacionais. 

Entre eles estão a contratação de 5 mil novos agentes de imigração nos aeroportos, redução no tempo de espera para emissão de vistos e investimentos bilionários na modernização do controle aéreo americano.

Também foram citadas iniciativas como o fim da obrigatoriedade de retirar os sapatos em determinados processos de inspeção da TSA, programas-piloto para agilizar conexões internacionais e recursos destinados a grandes eventos esportivos.

Eventos esportivos como porta de entrada 

Às vésperas da Copa do Mundo, o momento para os Estados Unidos é visto como estratégico para o turismo norte-americano. 

O país se prepara para receber uma sequência de megaeventos internacionais, incluindo a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, a Copa do Mundo de Rugby e os Jogos Olímpicos de Inverno.

Segundo Freeman, esses eventos representam uma oportunidade única para fortalecer a imagem dos Estados Unidos como destino turístico global.

Uma pesquisa divulgada durante o painel apontou que mais de 80% dos visitantes internacionais que estiveram recentemente nos Estados Unidos afirmam ter se sentido seguros, acolhidos e bem recebidos durante a viagem

A expectativa da indústria é transformar esses turistas em “embaixadores” do destino, capazes de influenciar positivamente a imagem do país no exterior. “O mundo precisa ouvir que a América está aberta para receber visitantes”, afirmou Freeman ao encerrar o discurso.

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