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Como é o Natal em Belém, na Palestina

Eu juro que não foi planejado, mas passei um Natal em Belém, na Palestina. Na verdade, entrei em território palestino pela primeira vez no dia 24 de dezembro, justamente em Belém

Quando me dei conta, confesso que fiquei muito curiosa para saber como seria.

Decidi, então, contar aqui para vocês um pouco sobre como é passar o dia de Natal na cidade onde Jesus nasceu.

Cheguei ainda de manhã, por volta das 10h, pegando um ônibus de Jerusalém. A segurança é extrema durante esse dia! 

Geralmente, em dias normais, o ônibus que leva a Belém cruza o muro e os policiais israelenses entram no ônibus para checar os passaportes. 

Nesse dia, o ônibus parou antes de chegar no muro e cruzamos o checkpoint a pé. Muitos tanques de guerra e centenas de soldados armados fiscalizando todos que chegavam. 

É um cenário um pouco assustador, que não tinha nada a ver com um clima natalino. 

Mas é só chegar na praça principal (Manger Square) que isso muda completamente. Já na manhã, acontece uma grande parada com bandas marciais de escolas e instituições da cidade, tocando canções natalinas.

Natal em Belém é repleto de turistas

As pequenas ruas da parte antiga da cidade ficam lotadas de turistas e população local. Pode ser difícil circular em alguns pontos, mas não é algo que estraga o evento. 

Igreja da Natividade

Os artistas se empenham, tudo é muito organizado, lindo e alegre.

Eu havia recém-chegado na casa da família palestina onde eu passaria os próximos 3 meses. Como eles são muçulmanos, esse é um feriado comum para eles, sem grandes comemorações. Mesmo assim, eles me acompanharam até a missa da meia noite.

À noite, tudo fica ainda mais mágico, com as luzes da praça acesas. Há um presépio montado no local e é ali que todos os turistas se reúnem, já que a igreja é muito pequena e a entrada é limitada. 

Em 2019, ano em que eu estava lá, havia muitas emissoras de TV locais. Conversei com uma jornalista que cobria o evento há anos e ela me disse que nunca havia visto tantos repórteres internacionais na cidade.

Não é cobrado ingresso para participar da missa, porém a inscrição deve ser feita on-line, com meses de antecedência – coisa que eu não havia feito. 

Mesmo assim, com muita paciência, eu consegui entrar com alguns turistas que também aguardavam pela oportunidade. Sinceramente, não fiquei muito tempo pois eu, com meus 150cm, não consegui enxergar nada. 

Quando saí, tentei ficar o mais próximo possível da igreja, para assistir um pouco da cerimônia que passava em um telão, mas havia muito empurra empurra, muitos turistas aglomerados e muitos policiais no local. 

Foi um pouco estressante e, sinceramente, eu não conseguia sentir um clima natalino no meio daquela muvuca. Não querendo ser bairrista, mas eu costumava me emocionar mais nas celebrações natalinas da minha cidade natal. Pelo menos conseguia me concentrar mais no significado da data.

Já estava me distanciando, pensando em ir para casa e desistindo da celebração, quando de repente, escuto uma melodia bem conhecida vindo da multidão. Um pequeno coro no meio do povo que acompanhava a celebração do lado de fora começou a entoar “noite feliz”. 

Pouco a pouco, o coro foi ganhando força. Pessoas de todas as nacionalidades começaram a entoá-lo, cada um na sua língua materna, é claro. Diferentes idiomas, mas todos seguindo a mesma melodia.

Como é passar o Natal em Belém, na Palestina

Estar a milhares de quilômetros longe de casa e ouvir a mesma canção que minha família estaria ouvindo enquanto se reunia para a ceia de Natal foi algo muito forte para mim. Mesmo sozinha, me senti perto deles e perto de todos que eu amo. Senti algo estranho, como se na verdade não existisse nem distância, nem fronteiras. 

A Parada de Natal chama a atenção dos turistas pelas ruas

Como se isso fosse algo inventado, mas, naquele momento, não tinha lógica nenhuma para mim. Ali, parecia que todo o mundo estava sentindo a mesma emoção que eu, e que estávamos todos juntos, tentando entender a grandeza e revolução que foi o nascimento de um menino pobre há 2 mil anos, naquele mesmo local onde estávamos. 

E com a esperança de que algum dia a gente ainda vai conseguir compreender a mensagem de amor que ele tentou nos passar, independente de seguirmos uma religião ou não.

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Esse texto lindo é assinado pela jornalista Sissi Dalmás, que atualmente mora nos Emirados Árabes e é uma cidadã do mundo!!

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