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Bolívia: Salar de Uyuni e roteiro de 3 dias

vista na bolivia

Confira um roteiro de 3 dias pela Bolívia, país que abriga o famoso destino turístico, Salar de Uyuni, perto da fronteira com o Chile.

O que se vê neste percurso são cenários impressionantes como o deserto de sal, gêiseres, lagunas de várias colorações, vulcões, desertos com rochas esculpidas pelo vento que mais parecem obra de arte, águas termais e até um cemitério de trens.

O percurso

Primeiramente, existem diferentes formas de chegar à esta região. As opções são saindo de:

  • Santiago (Chile)
  • La Paz
  • Santa Cruz de La Sierra (Bolívia)
  • San Pedro de Atacama (Chile)
  • Tupiza (Bolívia)
  • Uyuni (Bolívia)

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Neste texto conto minha experiência, em dezembro de 2019, saindo de São Paulo para Santa Cruz de la Sierra. Em seguida, passando por Sucre (cidade turística e capital constitucional da Bolívia) e chegando a Uyuni. Tudo começou em um tour de 3 dias e 2 noites pelo salar saindo de Uyuni e voltando para o mesmo ponto de partida.

De Santa Cruz de La Sierra para Sucre o trajeto foi feito por via aérea com a companhia Boliviana de Aviación (custou cerca de R$280 ida e volta). Já em Sucre fiquei dois dias e no terceiro segui rumo à Uyuni de ônibus, opção mais barata e prática.

Por outro lado, eu poderia ter começado por La Paz e de lá seguir de avião para Uyuni.

Porém, eu precisaria de mais dias de férias para isso e, devido à temporada de chuvas, o aeroporto de Uyuni fecha com facilidade, o que atrapalha os planos, principalmente quando se tem o tempo curto.

Salar de Uyuni espelhado, em 28 de dezembro de 2019. Até fevereiro segue a temporada de chuvas na região o que permite aos visitantes contemplar este espelho d’água.

Ainda no Brasil pré-reservei o tour com a agência World White Travel. O pagamento foi feito na chegada a Uyuni pela manhã, horas antes de já iniciar o passeio de 3 dias e 2 noites.

O que estava incluso no tour:

  • Transporte compartilhado (jeep 4×4 com capacidade para 6 pessoas)
  • Motorista-guia (em espanhol)
  • Alimentação (café da manhã, almoço e janta)
  • Alojamento: 1° noite em hostel de sal no povoado de San Juan de Rosario. Opções de quartos duplo, triplo ou quadruplo (de acordo com disponibilidade), com banheiro privativo ou compartilhado (ducha com água quente). 2° noite em Huayllajara, quartos compartilhados de no máximo 6 pessoas, com banheiro compartilhado (ducha é paga a parte e custou 20 pesos bolivianos).

Roteiro e atrações: 3 dias na Bolívia

1º DIA NO SALAR DE UYUNI

Uyuni

O tour começou na cidade que tem 130 anos de fundação e vive do turismo, agricultura (quinoa), pecuária, comércio e mineração. Uma cidade muito simples e onde não se tem muito o que ver. O centro é onde se concentram as agências de viagem, hospedagens e restaurantes. Basicamente você não sairá da área central.

Não deixe pra trocar dinheiro ou comprar lanches para a viagem em Uyuni, pois é possível que você não encontre casa de cambio nem caixa eletrônico (eu não vi nenhum).

E as opções de mercado são precárias. Se você chegar de ônibus cedinho, como foi meu caso, recomendo o hostel Chostel B&B, pertinho das paradas de ônibus (não existe rodoviária), com wifi, quarto e banheiro privativo, por 150bs (o mesmo valor que outros hostels bem ruinzinhos que encontrei por lá).

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A cidade de Uyuni e a fachada do Chostel B&B

Cemitério de Trens

Dá para acreditar que existe um cemitério de trens? É a primeira parada do tour pela região do Salar de Uyuni, na Bolívia.

Uma estação férrea abandonada que hoje é museu a céu aberto. O que restou da estrutura do trem conta um pouco da história do nascimento e crescimento da cidade, no século 19, graças as locomotivas que escoavam a produção de minério boliviana à costa chilena.

Com o tempo, esta produção foi perdendo mercado, as ferrovias privatizadas e a estação de Uyuni ficou sem dono e sem cuidados. Seus metais corroídos pelo tempo e vandalizados.

O interesse turístico só cresce em manter as carcaças da antiga locomotiva e existem planos de se construir ainda mais coisas no local. Hoje existe apenas um deserto com trens abandonados e algumas bolivianas com seus artesanatos expostos.

Não há placa ou qualquer outra estrutura para receber os turistas. E quem sabe seja isso mesmo que encante mais ao chegarmos nesse cenário inóspito!


Cementério de Trenes

Colchani: povoado que vive da extração do sal onde encontramos diversas barraquinhas de artesanatos onde o sal é protagonista. Esta vila é a porta de entrada para o salar.

Salar de Uyuni

O maior deserto de sal do mundo, em extensão e altura. Possui quase 11mil Km de área e está a cerca de 3.600 metros de altitude.

Além da quantidade de sal ser grande em área de extração, também é grande em profundidade, são aproximadamente 125 metros de sal.

Na alta temporada o local chega a receber até 60 carros por dia, com turistas do mundo todo.

Salar de Uyuni

A paisagem que já é incrível em qualquer época do ano, fica ainda mais impressionante durante a época de chuvas (que inicia final de dezembro e segue até final de fevereiro), que deixa o salar com um espelho d’água e a impressão é de que o céu está tocando o chão.

Caminhar por esse paisagem é algo indescritível! E mesmo que as fotos sejam lindas, ainda sim não representam o que é ver pessoalmente esse cenário!

Logo ao entrar no salar paramos na região conhecida como Ojos de Sal: local em que pode se ver as borbulhas saírem do chão, resultado das diversas substâncias que estão abaixo do salar e que são expelidas em forma de gases. A região concentra minerais como lítio, magnésio, potássio e sódio.

Ojos de Sal, no Salar de Uyuni

Depois seguimos para o Museu de Sal, onde está o monumento ao Rally Dakar e  (construído de sal para representar a passagem do Rally Dakar pelo Salar de Uyuni): neste local paramos durante um bom tempo.

Além das fotos no monumento Dakar, nas bandeiras mundiais e no museu (que não é bem um museu, mas uma espécie de restaurante com hospedaria, um bazar com salgadinhos e artesanato e banheiros), aproveitamos para almoçar.

Também ali, naquela imensidão de sal, muitos turistas aproveitam para fazer suas fotos divertidas em perspectiva.

Monumento ao Rally Dakar. Bandeiras mundiais no Salar de Uyuni

Próxima parada é a Isla Incahuasi: ilha formada por corais fossilizados e com cactos gigantes bem no meio do salar. Isso acontece porque toda esta região estava submersa.

Há cerca de 150 milhões de anos houve um movimento de placas tectônicas que resultou no nascimento do deserto do Atacama, no Chile, na Cordilheira dos Andes e no altiplano boliviano, onde estão o Salar de Uyuni e o Salar de Chiguana (por onde passamos no segundo dia do tour).

Após o movimento de terra, aos poucos a água do mar foi evaporando, deixando sobrar o sal, que hoje está concentrado nesta região da Bolívia.

Isla Incahuasi – Salar de Uyuni.Isla Incahuasi – Salar de Uyuni

O significado do nome da ilha é “casa dos incas” e o acesso ao local tem um custo de 30bs. Aproveitamos esta parada para utilizar os banheiros e subimos ao topo da ilha.

A subida, mesmo que num primeiro momento pareça fácil, com o fator “altitude” fica bem difícil! O ar rarefeito nos deixa sem fôlego e foi preciso intercalar a caminhada com paradas pelo caminho. Porém, a vista do salar de cima da ilha recompensa qualquer sacrifício!

Hotel de Sal em San Juan

O ponto final do primeiro dia é o hotel de sal, para a janta e hospedagem. Nesta região do salar, as estadias de sal são muitas.

Ainda assim, verifique se a sua agência de turismo inclui no pacote a primeira noite em hotel de sal. É uma experiência que não encarece muito o tour e será interessante conhecer e dormir num quarto com paredes “salgadas”.

Nossa hospedagem foi no hotel Pedresal. Pela fachada ainda em construção, o local parece ser ainda novo. Por dentro super charmoso. Simples, como quase tudo deste lado da Bolívia, mas aconchegante.

Hotel Pedresal, em San Juan.

2º DIA NO SALAR DE UYUNI

No segundo dia de tour é quando entramos na Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, onde está a maior parte da vida selvagem, da paisagem desértica e da área vulcânica da Bolívia.

Mirador Vulcão Ollague

Saímos do hotel por volta das 7h30 e nossa primeira parada é no meio do deserto, em um conjunto de rochas com vista para o vulcão Ollague – único ainda ativo daquela região.

Nesta oportunidade utilizamos os banheiros do local e numa espécie de armazém comprei um hamburguer com carne de lhama que estavam grelhando no local. Muito bom e bem condimentado. De lá seguimos para as lagunas mais famosas e bonitas da região.

Vulcão Ollague

Laguna Cañapa: Neste local avistamos pela primeira vez os flamingos. Os animais ficam soltos nesta área preservada e com limitação de até onde os turistas podem se aproximar.

Os flamingos se alimentam dos plânctons presentes nestas lagunas. A parte branca da água é formada devido a presença natural de ácido bórico.

Laguna Cañapa

Laguna Hedionda: Segunda laguna visitada, é ainda maior e com mais flamingos. Ali existe um restaurante com as paredes envidraçadas, onde paramos pra almoçar com vista para a laguna e os flamingos..

Laguna Hedionda

Árbol de Piedra

Este é um conjunto de formações rochosas com formatos inusitados. A mais famosa delas é a chamada árbol de piedra (árvore de pedra), uma rocha esculpida pelo vento e pela areia ao longo de milhares de anos.

Os visitantes aproveitam para escalar algumas rochas e fazer diversas fotos lindas em meio à paisagem árida.

Neste ponto do passeio estamos a cerca de 4.500 metros de altitude e venta demais, o que baixa ainda mais nossa sensação térmica. Mesmo no verão, foi preciso usar touca, casaco corta-vento e blusa térmica.

Árbol de Piedra

Laguna Colorada

A mais famosa das lagunas, devido a cor bem avermelhada, à grande presença de flamingos e também de vicuñas. Nesta laguna seguimos por uma passarela com dois mirantes onde se pode avistar a laguna de cima. Também é possível encontrar uma cafeteria e banheiros (foi a estrutura mais bem apresentável que encontrei durante todo o roteiro). Esta foi a última parada antes de seguir pro alojamento.

Laguna Colorada

Refugio Huayllajara

Alojamento super simples, com quartos e banheiros compartilhados. Ainda sim, aqui era possível pagar mais para um quarto matrimonial com banheiro privativo.

Um casal do nosso grupo optou por pagar a mais, porém descobriu que a água quente deste banheiro privado não estava funcionando e voltaram pra opção compartilhada.

Ainda que o alojamento tenha pouca ventilação e o pé direito baixo (pode ser um problema pros mais claustrofóbicos), a roupa de cama estava limpa, assim como os banheiros e demais áreas comuns.

Neste local a energia elétrica era racionada. Então tivemos apenas duas horas para carregar os celulares (para poder tirar fotos, já que lá o celular não servia pra mais nada, sem sinal de telefonia e sem internet).

3º DIA NO SALAR DE UYUNI

Geyser de Sol de Mañana

No último dia do passeio levantamos antes do sol nascer pra conseguir visualizar os gêiseres a todo vapor! Como antes do sol nascer o ambiente ainda está bem frio, os gases de larva vulcânica expelidos pelos gêisers são mais fortes.

Este é o dia em que você vai precisar do gorro, da manta, das luvas e de toda a roupa abrigada que levou para o passeio! No verão, quando fomos, neste momento fazia -5ºC. Como estamos há quase 5mil metros de altitude, com muito vento, a sensação térmica é realmente bem gelada!

Geyser de Sol de Mañana

Ver os gêiseres de pertinho é bem impressionante. Como uma demonstração da força e poder da natureza! Algo único e que não vemos em qualquer lugar do mundo.

Mesmo encarando todo o frio, o sentimento é muito bom, de poder estar lá, no meio do deserto, no altiplano boliviano, em cima de uma região de vulcões e do lado de uma concentração de gases sendo expelidos pela terra com força total!

Águas termais de Polques

Depois de percorrer mais um tempinho de carro, vendo o sol crescer no horizonte, hora de passar da touca, luva e casacão pra roupa de banho!

Não é todos que encaram, mas já que eu tava lá, e o frio já estava diminuindo na medida que o sol dava o ar da graça, entrei nas águas termais de polques, que estavam numa temperatura de aproximadamente 30ºC.

Algumas pessoas não conseguem entrar na água durante o inverno, pois faz realmente MUITO frio. Mas nessa época em que eu fui, foi possível encarar sim. Os colegas que preferiram não entrar eram aqueles que já se sentiam meio mal da garganta ou com dor de cabeça, etc.

Pra quem entra, é uma delícia! Uma sensação de relaxamento total! E quando saímos bate um sono muito grande.

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Águas termais de Polques

Deserto de Salvador Dalí

Esta é mais uma região desértica, sem quase nada mesmo, rodeado de vulcões inativos e inexplicavelmente algumas rochas enormes (de até 2m de altura) numa das partes mais altas deste deserto. O conjunto de rochas lembra as obras surrealistas de Salvador Dalí e por isso o deserto leva este nome.

Deserto de Dalí

Laguna Blanca e Laguna Verde

As duas lagunas estão uma do lado da outra e são a última parada do roteiro, antes de voltarmos para Uyuni. Os nomes das lagunas é devido à sua cor predominante.

A branca, possui aquela espécie de pó branco acumulado em sua superfície, formado pelo ácido bórico. A verde aparece no tom esmeralda, esverdeado principalmente quando está em movimento.

O reflexo do sol em contato com as substâncias presentes nesta laguna nos permite vê-la na cor verde. Quando eu fui, a água estava bem parada, não ventava tanto, o que deixou a laguna transparente e o bonito foi ver refletido na água o vulcão Licancabur, que está na divisa entre Bolívia e Chile.

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Laguna verde

Fronteira com o Chile

É chegada a hora de encerrar o passeio e a última parada é na fronteira com o Chile, onde muitos turistas descem para seguir viagem pelo lado chileno. Na saída da Bolívia uma fila considerável de turistas se forma. E no mesmo local diversos micro ônibus aguardam para continuar o passeio no país vizinho. Este não foi meu caso.

Eu fiquei na 4×4 e após me despedir dos colegas que desceram no local, por volta das 9h30min iniciamos o retorno a Uyuni. Por fim, a chegada ao destino ocorreu às 16h. Durante o caminho ainda fizemos algumas paradas em bonitas paisagens para fotos e no povoado de San Cristobal para almoçar.

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Texto de Andressa Griffante jornalista e autora do Passageira.com.br

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