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Levar o título de terra dos cânions é uma grande responsabilidade para Cambará do Sul : cânion do Itaimbezinho e o cânion Fortaleza, os mais famosos do Rio Grande do Sul, estão por lá.

A cidade de pouco mais de 6 mil habitantes tem ritmo próprio e tem criado opções bem interessantes aos viajantes, que são cada vez mais constantes, porque querem conhecer duas obras da natureza: o cânion Itaimbezinho e o Fortaleza.

O dia estava claro e frio quando visitei o cânion Fortaleza!!

Por isso, minha dica é sempre fazer uma caminhada pelo centrinho (falo disso mais adiante!), mesmo que seja entre a visita de um parque e outro. 

Bom, por falar em parques, eles são o principal atrativo da região. A visita é tarefa fácil, mas exige bom planejamento.

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Parque Nacional de Aparados da Serra – cânion do Itaimbezinho

Para quem vai aos parques por conta própria, a dica é ir primeiro o Parque Nacional de Aparados da Serra, onde fica o Itaimbezinho, um ícone na região.

A chegada ao parque exige cerca de 11 quilômetros de estrada de chão. Cada balanço dentro do carro vale a recompensa do destino final.

A entrada é simples: paramos numa cancela, deixamos alguns dados pessoais e seguimos viagem até o estacionamento. Desde 2016, a entrada é gratuita.

Na estrada dentro do parque há placas para auxiliar os visitantes.

Atualmente, duas trilhas estão liberadas: a do Cotovelo e a do Vértice. 

Para motivar a visita, comecei pela mais longa, assim o corpo se acostumou! 

O caminho é leve, em um percurso que mescla árvores e pontilhões de onde é possível ouvir o barulho da água.

A gente não percebe, mas a caminhada é feita pelas bordas do famoso Itaimbezinho. Nos mirantes e podemos ver parte dos 5,8 quilômetros de extensão das paredes, que algumas vezes são cobertas por quedas d’água.

Já no caminho somos surpreendidos pela paisagem do Itaimbezinho!

No total, a trilha do Cotovelo, com pouco mais de 6 quilômetros ida e volta, transpõe arroios e passa por mirantes instalados junto à borda do cânion, possibilitando uma vista privilegiada. 

Em uma das plataformas, despenca o Véu de Noiva, cachoeira que deságua no fundo do abismo por onde corre o rio do Boi (ótimo ponto para quem gosta de trilhas longas, difíceis e guiadas).

Depois da visita, voltar os 3 quilômetros foi fácil. A paisagem extensa dos paredões no horizonte ficou na memória e foi um incentivo.

Para a segunda etapa, fizemos a trilha do Vértice, bem mais fácil. 

É um ótimo lugar para tirar fotos e descansar um pouco!

Ela pode ser acessada ao lado do centro de informações, local onde tem o único banheiro do parque e que mantém exposições sobre algumas atividades da cidade.

De mochila nas costas, a segunda trilha é fácil, porque tem cerca de 500 metros. 

É super tranquilo, mesmo sem guia, pois as trilhas são sinalizadas.

Nos primeiros passos já temos uma vista parcial dos paredões, que ficam à disposição em frente ao mirante. Do alto observa-se, a cachoeira das Andorinhas e o vértice do cânion Itaimbezinho.

Como ir até Itaimbezinho

É preciso percorrer 11 quilômetros de estrada de chão a partir do centro de Cambará do Sul. Tem como ponto principal o cânion do Itaimbezinho. Entrada gratuita.

2 trilhas abertas (uma de 6 km e outra de 1,5km)

Apenas no centro de visitantes há banheiros. Não há opção de alimentação.

Aberto das 8h/17h (a trilha do Cotovelo fecha às 15h)

Parque Nacional da Serra Geral – Cânion Fortaleza  

Eu gosto de guardar o melhor da viagem para o final, por isso sugiro deixar a visita ao Parque da Serra Geral por último.

Logo na descida do carro, avistei de longe uma montanha com alguns pontinhos no topo. 

“Sim, é para lá que vamos, onde estão aquelas pessoinhas”, insistiu o guia.

A altura do cânion Fortaleza permite uma vista ampla da natureza.

De mochila nas costas e casaco corta-vento para se proteger do frio, apertei o passo. 

A primeira aventura era rumo a um caminho simples em direção ao cânion. Logo após o estacionamento, à esquerda, a rápida trilha pela vegetação rasteira dá acesso à primeira vista do cânion que faz divisa com Santa Catarina.

Para quem tem problema de mobilidade ou mesmo preguiça, é a trilha perfeita, porque é rápida e muito simples. Sem falar que a paisagem é um momento “uau”.

Em frente aos olhos surge um cânion recortado pela natureza e todo coberto de verde, como se fossem montanhas cortadas à faca e dispostas lado a lado

Os abismos causam friozinho na barriga, mas são lindos!

Para os corajosos, fotos sobre as pedras da borda rendem imagens lindas. Mas fique sempre atento, porque os desfiladeiros não são protegidos e podem ser alvo de quedas abismo abaixo!

Como já conhecia o cânion, sabia que valia a pena seguir pela trilha de três quilômetros que levaria a uma das paisagens mais bonitas do Brasil

A trilha do Mirante é cansativa e, por vezes, prejudicada por causa do vento e da neblina, por isso é sempre mais indicado percorrê-la pela manhã.

No dia da minha visita, ofegante, percebi como o coração batia forte enquanto me direcionava ao pico da montanha. Em um dia de inverno ensolarado, foi necessário tirar casaco, manta e blusão de lã.

No topo, recebi a melhor das recompensas. Uma vista de 180 graus para o paredão que separa o solo gaúcho do catarinense. 

Todo esforço e todas trilhas percorrida valem a pena por essa vista!

A paisagem parece se perder pelo horizonte e convida para um momento de silêncio e introspecção, cortado apenas pelo voo dos pássaros que habitam por ali.

Como ir até o cânion Fortaleza

No total, são 14 quilômetros de asfalto e 9 quilômetros de estrada de chão a partir do centro de Cambará do Sul. Tem como ponto principal o cânion Fortaleza. Entrada gratuita.

2 trilhas abertas (a maior tem 3km) 

Não há banheiros nem opção de alimentação

Aberto das 8h/17h

O que fazer no centro de Cambará do Sul

Embora boa parte dos turistas faça os passeios focados nos parques de Cambará do Sul e deixem a cidade pra trás, vale a pena dedicar uns minutos para conhecer o pitoresco centrinho.

O ponto de partida pode ser a Casa do Turista, onde é possível pegar mapas e solicitar informações. Para quem viaja sem planejamento, é um bom início para pensar o roteiro.

A cidade é bem simples, mas há bons serviços.

Na pequena área central, chamam a atenção alguns casarões em madeira, que datam do início do município, lá pelos anos 60. 

Em um deles, amarelo como gema de ovo, está o Centro Cultural Dr. Santo Borneo.

Descobrir um pouco da história local faz parte das viagens!

No primeiro andar há um pequeno museu, com objetos dos primeiros moradores, fotos e causos que relembram passagens do local. O segundo andar preserva uma biblioteca.

Em frente à construção antiga está a igreja matriz São José e uma peculiar sequoia

Os moradores afirmam que a árvore chegou ao local depois de ter passado por uma viagem à lua. 

Esta é a sequoia lunar, que fica no centro de Cambará do Sul.

Sua semente pode ter sido uma das centenas que viveram em órbita em 1971, em uma expedição da Apollo 14. 

A muda da árvore teria chegado à região em 1982, depois de ter sido germinada em terreno lunar. O prefeito da época teria convencido políticos de Brasília a trazê-la para a cidade (na mesma época, outras cidades receberam mudas de sequoias).

Será mesmo?? Tem até uma placa explicando esse mistério da sequoia!!

Seguro viagem 

Contratar um seguro viagem é essencial em todos os destinos, porque imprevistos sempre podem acontecer.

Em Cambará do Sul você vai fazer muitas trilhas e é uma região de difícil acesso, por isso sugiro que você esteja preparado para possíveis eventualidades.

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Parte do conteúdo dessa reportagem foi produzido pelo Travelterapia para o jornal Estado de São Paulo, edição do dia 29/09/2019.

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