Mulheres que viajam sozinhas: elas são protagonistas das viagens 

mulheres tirando uma selfie em uma viagem juntas

Mulheres que viajam sozinhas: elas são protagonistas das viagens 

Cada vez mais, as mulheres estão viajando sozinhas. Sejam elas solteiras, viúvas, jovens ou mais maduras, as mulheres são responsáveis por planejar as viagens e ir em busca de independência, autonomia e visão de mundo.

Até o ano passado, ainda não havia pesquisa consolidada sobre mulheres que viajam sozinhas no Brasil. Por isso, o Ministério do Turismo, em parceria com a Unesco, criou um projeto para atender e ajudar as mulheres viajantes.

O projeto foi transformado em dois guias. O primeiro, lançado em 2025, é voltado para o trade e se chama Dicas para atender bem turistas mulheres. O outro, apresentado em março deste ano, é o Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas.

Os dois guias estão disponíveis no site do Ministério Turismo e tiveram a participação de Anelise Zanoni, do Travelterapia, como consultora e responsável pela pesquisa.  

O material traz dados e informações reveladoras. Entre os dados obtidos pelo estudo, por exemplo, foi observado que 76,4% das mulheres já deixaram de visitar algum lugar por se sentirem inseguras. Além disso, 62,1% das entrevistadas revelaram que já deixaram de viajar por questões de segurança.

Outro dado com destaque na pesquisa é que muitas mulheres nunca pediram nenhum tipo de ajuda em caso de insegurança ou problema em uma viagem.

“O guia consolidou as impressões que tínhamos sobre situações em que a mulher fica exposta durante uma viagem e percebemos que essa era uma pauta que tinha espaço para ser trabalhada. Às vezes, são alguns comportamentos e pequenos detalhes dentro do serviço prestado que podem melhorar o atendimento a esse gênero”, afirma Tatiana Oliveira Correia, Coordenadora de Turismo Responsável do Ministério do Turismo. 

Neste texto, baseado no conteúdo do guia para mulheres que viajam sozinhas, vamos destacar os desafios das mulheres viajantes, a importância de uma agência de viagens e entender como os destinos podem se preparar para receber as mulheres de forma segura.

Maiores desafios das mulheres que viajam sozinhas

A pesquisa inédita foi assunto de um dos painéis do evento Destinos, promovido pelo jornal Correio do Povo no início de maio. Durante a conversa, algumas mulheres viajantes relataram suas experiências e os maiores desafios enfrentados.

Aos 29 anos, Fernanda Pandolfi, jornalista e mediadora literária, fez uma viagem de 9 meses para diferentes países do mundo. Ali, ela descobriu pela primeira vez o que era uma mulher viajando sozinha (e todos os desafios que isso traz). 

“Na época, eu não tinha noção do que era uma mulher viajar sozinha para lugares tão diferentes do mundo. Estive em lugares culturalmente diferentes, que colocam a mulher em posições atípicas. A cada país que eu visitava, eu observava de que maneira deveria me portar, me vestir. Em alguns lugares eu não saía à noite. A minha vestimenta era conforme as mulheres usavam no local. É um cuidado que eu passei a ter, de me colocar no lugar das outras mulheres”, revela.

Fernanda cita o transporte público como um dos lugares mais desafiadores para as mulheres. “Os transportes são lugares que a gente se sente muito vulnerável”, exemplifica.

Para Ivane Fávero, turismóloga e consultora de Turismo, “Mulheres que viajam sozinhas não querem coragem romantizada. Elas querem liberdade, segurança e estrutura.”

A importância de contar com uma agência de viagem

Contratar uma agência de viagem na hora de viajar faz toda a diferença na vida das mulheres viajantes. 

Ao ter o apoio de um serviço personalizado, a viajante tem respaldo, acolhimento e pode resolver problemas na hora, com segurança. Luciane Garcia, diretora da agência Diário de Bordo, falou sobre a importância de contar com uma agência de viagens.

“Nos últimos anos, tenho notado um aumento do desejo de mulheres viajarem sozinhas, mas com uma estrutura, um serviço por trás, para poder se sentir segura. Hoje, temos grupos de mulheres que viajam juntas para vários países. Têm mulheres jovens, outras com mais de 60 anos, com filhos, casadas, solteiras, de todas as etapas da vida”, observa.

A mulher como protagonista das viagens

De acordo com pesquisas do setor, 54% dos profissionais que trabalham diretamente com turismo são mulheres. Agora, o desafio é olhar para quem está do outro lado: as mulheres consumidoras, que planejam, pesquisam e fazem as viagens. 

Tatiana acredita que o turismo precisa olhar com atenção para as mulheres viajantes. “Acreditamos que o setor turístico pode contribuir para o fortalecimento da mulher consumidora, como protagonista de suas vidas”, destaca.

Hoje, as mulheres buscam viagens independentes, que permitam ter experiências culturais e gastronômicas.

“Nos últimos anos, acredito que a questão de gênero ganhou um importante espaço dentro da política pública. Em relação ao turismo, essa mudança da visão da mulher ganhou uma importância gigantesca”, avalia.

O que torna um destino seguro para a mulher

Para Tatiana, em primeiro lugar, é preciso avaliar a segurança pública

“A mulher precisa ter a sensação de poder se deslocar sem o risco de ser assaltada ou assediada. A questão da segurança pública é um dos maiores desafios, inclusive não só no Brasil”, opina.

Outro ponto citado é acolher as mulheres viajantes e oferecer qualidade nos serviços prestados

“Na hora que você se sente acolhida nos lugares que frequenta, isso te dá uma sensação de segurança. Por exemplo, chegar em um hotel, precisar de um táxi e ser prontamente atendida com alguma indicação ou orientação. Um atendimento de qualidade pode trazer uma sensação a mais de segurança, de cuidado e de acolhimento. A qualificação dos prestadores de serviço ajuda demais nesse aspecto”, destaca.

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