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Uma volta ao mundo em família

Texto de Clarissa Ciarelli

A Mari Magoga foi minha colega de trabalho, atuava em outra área, e nos encontrávamos em reuniões e eventos esporadicamente. Um belo dia, chegou um e-mail de despedida da Mari, dizendo que estava saindo por um motivo muito legal: o projeto familiar “Mais Vida Por Favor”. Basicamente, ela e o marido, Gustavo, estavam deixando seus empregos para rodar o mundo com o filho Lucas, de dois anos.

Sabe aquela vontade de largar tudo e partir para a estrada, que muita gente tem e quase ninguém consegue realizar? Eles foram lá e fizeram!!

Acompanho as aventuras da família no canal deles no You Tube, na página do Face de mesmo nome e no Insta @maisvidaporfavor.

Passados alguns meses, entrei em contato com eles e fiz a entrevista abaixo. É pra deixar qualquer apaixonado por viagem com aquela vontade de se planejar e fazer igual! Inspire-se!!

Em que momento vocês tiveram o “estalo” de deixar a vida e a rotina no Rio pra dar a volta ao mundo com o filho de dois anos? Como surgiu o projeto?

A faísca surgiu quando voltamos da nossa primeira viagem internacional com o Lucas. Fomos para o Chile e fizemos um roteiro mais lento, nos adaptando as necessidades do bebê (ele tinha 1 ano e meio na época), e foi maravilhoso. Nos fez perceber que viajar com uma criança pequena não era um bicho de 7 cabeças. Só precisávamos de planejamento, e esse sempre foi um ponto forte do casal. Então quando voltamos do Chile, ainda no aeroporto, falamos brincando se não daria para viver de viajar com o Lucas. Rimos na hora, mas a sementinha estava plantada. 2 meses depois, já estávamos falando sério sobre o assunto e iniciando um planejamento de como seria essa volta ao mundo. Nesse momento ainda cheios de medo de largar os empregos, a estabilidade e tudo mais.

Sobre a parte prática da viagem: qual é o roteiro resumido? Em que parte dele vocês estão e quais os próximos destinos?

Começamos pelo Peru e depois partimos para os Estados Unidos e Canadá. Agora estamos na Europa. A ideia é rodar todos os continentes e aproveitar o melhor de cada um deles, realizando alguns sonhos antigos pelo caminho. Por exemplo, na passagem pelos Estados Unidos pegamos um motorhome e cruzamos mais da metade do país. Agora estamos na França e em menos de uma semana pegaremos um barco alugado e vamos navegar pelo Canal Du Midi, em direção a Provence. Dali vamos aproveitar a Riviera Francesa e partimos para Croácia e Alemanha. De Berlim, voamos para a Tailândia, iniciando a fase asiática da viagem. Até agora foram 5 meses e no total pretendemos viajar por 1 ano e meio, mas quem sabe? Quando colocamos no papel todos os lugares que ainda queremos ver, parece que não vai dar tempo… 😉 e se não der, e as finanças permitirem, vamos continuar viajando.

Uma viagem dessas requer planejamento rigoroso, ainda mais com uma criança. Como vcs se organizaram e quais são as dicas pra quem quer começar uma aventura dessas?

Achamos que tudo começa com o planejamento financeiro. Ele é que vai te dar a tranquilidade para aproveitar a jornada ao máximo! Costumamos brincar que estamos planejando essa viagem desde que recebemos o primeiro salário de estagiário (há 13 anos atrás), porque apesar de nem sonharmos em fazer uma viagem dessas na época, já economizávamos todo o dinheiro possível. Foi esse planejamento ao longo de muitos anos, que hoje nos permite parar e aproveitar essa nova fase. Também vendemos o carro, computador, eletrodomésticos e colocamos o apartamento para alugar no Airbnb.

Quanto ao planejamento com a criança, achamos que o ponto principal é se adaptar a velocidade e rotina que os pequenos precisam. Passamos a viajar de forma mais lenta (pesquisem por Slow Travel, tem bastante material por aí ), que além de ser melhor para a criança, permite que conheçamos mais da rotina e costumes locais e ainda é mais econômico. Ou seja, perfeito para o nosso caso! Além disso, quanto a parte de saúde, aos dois anos Lucas já tinha tomado todas as vacinas necessárias e poderíamos viajar com menos esse preocupação. A pediatra também nos deu recomendações quanto a uma farmacinha básica e nos indicou a médica do viajante, que nos ajudou no planejamento de remédios e vacinas específicos pra cada lugar que visitaremos.

E sobre o Lucas. Pais de crianças pequenas em geral acham uma baita função um passeio de fim de semana. Vocês estão levando pra volta ao mundo!! Como vocês adaptaram a rotina dele a essa vida “nômade”? Quais as principais lições? E já teve um grande perrengue? Como ele tem lidado com as diferentes línguas e culturas? E comidas?

Tentamos fazer o contrário, adaptamos a vida nômade a rotina que queremos levar. Uma boa dica é ficar mais tempo em cada cidade e tentar “viver” o local. Essa é nossa vida em tempo integral agora, então não tentamos cobrir todos os pontos turísticos. Temos dias em que só vamos ao mercado da esquina, cozinhamos e vamos no parquinho de tarde. Afinal, nossa meta principal era curtir ao máximo essa fase do Lucas pequeno, e para isso precisamos dessa vida mais slow. O Lucas tem lidado super bem com toda a viagem. O único perrengue que lembramos foi nos Estados Unidos, durante a viagem de motorhome, quando o Lucas teve uma infecção urinária. Falamos com a pediatra no Brasil e ela recomendou que levássemos ele a um hospital para avaliarem melhor. No final das contas, era uma infecção bem leve e conseguimos resolver com uma das pomadas que levamos.

Aliás, super dica! Levar sempre uma farmacinha completa nesse tipo de viagem. Nunca se sabe quais remédios você vai encontrar ou não em casa país, então ter um kit básico dá uma baita paz de espírito. Quanto às línguas, ele está falando um pouquinho de cada, mas o mais legal é que nessa fase a criança absorve com muita facilidade os fonemas e a pronúncia correta. É muito bom saber que essa viagem vai deixar esse aprendizado para ele. A questão da comida é algo muito importante pra gente, porque a gente adora comer e ama cozinhar! Então trouxemos tudo o que considerávamos indispensável, como panela de pressão, mixer, ralador, descascador de legumes e uma espátula de silicone de estimação. Assim garantimos que sempre teremos arrozinho com cenoura, feijão ou sopinha de ervilha com abobrinha. Os favoritos da família 🙂 De toda forma, o Lucas é muito curioso e adora provar coisas novas, pelo menos por enquanto. Ele está crescendo, desenvolvendo o paladar e experimentando de tudo.

Quais lugares mais surpreenderam vocês até agora? E quais as grandes expectativas para as próximas etapas?

Canadá, com uma beleza natural espetacular e a educação do povo. Sentimos muita paz e tranquilidade no ar canadense. Adoramos. Na Europa amamos Portugal. A variedade de atrações, a cultura parecida com a nossa e a facilidade de locomoção. Conhecemos o país de norte a sul e queremos voltar para conhecer ainda mais. Ficamos 1 mês e meio por lá. Quanto às próximas etapas, temos muita expectativa em relação à Ásia. Fomos ao Japão há alguns anos e foi uma viagem mágica, então esperamos muito dos outros países da região. Pretendemos passar pelo menos 6 meses por lá.

Os vídeos de vocês são lindamente editados. É tudo feito no celular? Quais as dicas pra quem quer tentar fazer assim?

Obrigado! Usamos algumas imagens de celular, mas gravamos bastante com a Go Pro Hero 5 e com a nossa Sony A6500. A edição é feita no iMovie. Para os próximos vídeos, teremos imagens ainda mais bonitas, pois agora estamos com um drone! Investimos bastante em equipamento, mas a verdade é que com o celular já se faz quase tudo hoje. A dica principal é saber qual a história que se quer contar no vídeo e no início gravar o máximo possível, para na hora da edição poder escolher os melhores momentos.

Qual foi o momento mais emocionante? E o mais engraçado? E o mais assustador?

Mais emocionante? São os pequenos momentos. Acompanhar o Lucas se desenvolvendo de perto, nos lembra que poderíamos estar perdendo tudo isso, pois ele estaria na creche e nós no trabalho. E isso só nos deixa mais seguros, sobre a decisão que tomamos.

Mais assustador? Foi logo no início da viagem. Estávamos em um parquinho e o Lucas virou para a gente, meio choroso, e disse: “Quero voltar pra casa”. Nos olhamos com o coração na mão e perguntamos para ele: “Qual casa, filho?” e ele respondeu “A de Chicago. Tô cansado.” UFA! Pensamos que ele iria falar que estava com saudade da casa do Rio de Janeiro kkkk. A verdade é que nessa fase o que a criança quer mesmo é estar perto dos pais, então é realmente o melhor momento para fazer esse tipo de viagem.

Mais engraçado? Difícil de escolher um só! Mas o que vem na cabeça é um que vai estar no nosso próximo vídeo do Canadá, que estamos editando agora. Depois de uma caminhada que fizemos, chegamos em um lago incrível, com uma vista para algumas montanhas gigantes com neve. Estávamos olhando para aquela paisagem, de boca aberta, e comentamos com o Lucas como era incrível aquele lugar. Perguntamos para ele o que achava. Ele respondeu: “- Não é a Toys “R” Us…” kkkk

O nome “Mais Vida, Por favor” indica uma vontade urgente de “viver” de verdade os dias que passam e muitas vezes não vemos quando estamos no “piloto automático”, certo? O que vocês já aprenderam sobre isso nesses primeiros meses de viagem? Quais as grandes lições dessa TravelTerapia até agora?

Quando estávamos na correria do trabalho, às vezes os dias, semanas e até meses passavam sem percebermos. Como você disse, no “piloto automático”. Desde o início da viagem, tudo parece mais real. Como vivemos cada momento, 1 mês de viagem parece 1 ano de vida! Estar presente de corpo e mente em cada segundo do dia, tem feito toda a diferença pra gente. Acho que o grande aprendizado até agora é justamente que a viagem (apesar de incrível), é só o plano de fundo. Ela é um catalisador para podermos nos conhecer melhor, parar e repensar o que é realmente importante na vida. O que queremos para os próximos 30 anos e o que queremos para os nossos filhos.

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