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Todas as surpresas de um safári na África do Sul

Desde a minha primeira viagem eu entendi que aquilo era necessário pra minha vida. Precisava ver outras pessoas, respirar outros ares, sair da zona de conforto e conhecer novas culturas – fossem elas parecidas ou totalmente diferentes da nossa. Precisava sentir que estava conhecendo um mundo além do quintal da minha casa ou do trajeto para o trabalho.

A definição de Mário Quintana que “viajar é a trocar a roupa da alma” explica exatamente a função desta que é a coisa mais maravilhosa da vida e, usando outro dito conhecido, “a única coisa que compramos que nos torna mais ricos”.

Recentemente fui renovar minha vestimenta interna na África do Sul! Pela primeira vez pisava naquele continente gigantesco tão cheio de beleza, problemas, vida selvagem e com aqueles clichês errôneos como os estrangeiros têm do Brasil.

A primeira parada foi no aeroporto de Joanesburgo. Foi só para trocar de avião e seguir viagem para Hoedspruit (menos de uma hora dali) onde ficaríamos três dias para fazer safári em uma reserva privada ao lado do Parque Nacional Kruger, o mais conhecido daquele país.

Eu não sabia muito o que esperar. Fiquei com receio de ser picada por bichos conhecidos e desconhecidos pelo fato de ser alérgica (no final não houve picada alguma e sou mais picada em São Paulo!). A única coisa que sabia era que tentaria ver os “Big Five” (leão, elefante, búfalo, leopardo e rinoceronte) de pertinho, mas já nem colocava o leopardo na lista por ser o mais difícil encontrar, além de zebra, hipopótamo, girafa e outros bichos que adoro.

Outro receio que tinha era de sentir tédio. Afinal, mesmo sendo poucos dias, você fica completamente isolada em um reserva cheia de conforto. Seria boa comida, funcionários prestativos, acesso a internet, mas sem televisão e contato com outras pessoas além das que estão ali hospedadas e eram apenas 14 quartos no total.

Foram três safáris por dia. Um começava às 6h30, vinha a pausa para o café da manhã, outro às 9h (que incluía descida do carro para safári à pé). O último foi às 16h e se estendia até escurecer, o que tornava a experiência bem diferente.

Desde o primeiro, ainda cansada pela viagem, eu tive certeza que havia feito a escolha certa em ir para aquele lugar. De cara já vimos um enorme grupo de búfalos que nos encarava de um jeito assustador, mas não sentia medo! Aliás, não senti medo em momento algum, até em um que deveria ter sentido que foi quando finalmente complementei a lista dos “Big Five” vendo um leopardo no safári à pé! Até o ranger (guias locais) tremia já que era apenas a quinta vez na história que aquele animal havia sido avistado sem que o grupo estivesse no carro. Ou seja: vivemos algo raríssimo!

O encontro com cada um dos grandes animais e alguns pequenos também, foi inesquecível. Vê-los com seus filhotes, então, é algo que não dá pra explicar. Ver a leoa fazendo carinho no leão a três ou quatro metros dos seus olhos, também não dá pra esquecer. Até em guepardo eu pude fazer carinho! E não, eles não estavam dopados! Eles só cresceram no meio dos humanos e estavam bem alimentados pela caça que eles mesmos haviam conseguido dois dias antes.

Foram inúmeras imagens que ficarão pra sempre guardadas no meu coração e uma delas foi o elefante (o animal que eu mais esperei e foi o segundo mais difícil de encontrar depois do leopardo). Ele simplesmente veio cumprimentar o ranger com a tromba como se fosse uma mão. Aquilo me emocionou de uma tal maneira… Na verdade, os animais, inclusive estes gigantes e por vezes perigosos, são muito mais humanos do que pensamos.

Ah! Vimos também quando já estava escuro uma hiena dilacerando um impala que havia sido morto instantes antes. Víamos e ouvíamos ela tirar cada órgão do pobre animal morto, sua boca toda suja de sangue… de arrepiar!

Recomendo esta experiência pra todo mundo que ama os animais e que queira de fato viver uma experiência completamente diferente das viagens tradicionais. Me disseram que os melhores meses são setembro e outubro por ainda não estar muito calor e não ser período de chuva. Eu tive a felicidade de escolher, sem querer, um destes meses.

A paz, o silêncio, a beleza das noites mais estreladas que já vi na vida, o contato com o meu interior de uma forma profunda, visceral, são coisas que só este contato com a natureza podem proporcionar. E eu que amo grandes cidades, me vi completamente apaixonada pelo meio do mato, da selva, do lugar sem nada pra fazer, a não ser admirar, respeitar e acima de tudo aprender com a alma, aquela mesma que eu tinha ido trocar.

  • Mariana Busanelli tem 34 anos, é paulista, assessora de imprensa e se apaixonou pela África do Sul.

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