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Peru é destino para transformar a alma

Foto: Scott Umstattd

Caracterizado pela riqueza cultural, o Peru tem roteiros que vão além de Machu Picchu

Por pelo menos dois ou três anos guardei dentro de uma pastinha plástica e de elásticos corroídos uma dezena de folhetos sobre o Peru. Lembro que o material havia sido entregue em uma feira de turismo da época em que era repórter de jornal. De tempos em tempos, eu abria aquela pasta e ficava viajando só de olhar pontos turísticos clássicos como Machu Picchu e o Vale Sagrado.

Planejei viajar ao país pelo menos umas duas vezes, mas sempre tinha algum empecilho no caminho. Até o dia em que juntei milhas de uma companhia aérea e fiz uma reserva com antecedência. Que sorte a minha!

Em uma viagem de 14 dias percebi que aqueles folhetos mostravam muito pouco do que é o país. Destino da moda nos dias de hoje, o Peru tem uma riqueza cultural sem fim, mesmo que a pobreza seja um contraste constante por lá.

Minha incursão iniciou em Lima, capital muitas vezes deixada para trás pelos pacotes de viagem e por quem monta o próprio roteiro de viagem. Instalada no alto de uma falésia, a cidade tem prédios altos, shopping com vista para o mar, trânsito caótico (presenciei até briga de motoristas de ônibus!), gastronomia cheia de sabor e ciclovias que levam para paisagens que fazem os olhos brilhar. Por falar nisso, foi num passeio guiado de bicicleta que percorri bairros como Miraflores, San Isidro e Barranco. A bordo da bike vi a imensidão do Pacífico e passei por pontos turísticos como El Parque del Amor e por mirantes com vista para a costa limenha.

Cheguei à conclusão de que a capital já seria um grande destino se fosse a única parada da viagem, mas seguimos para Arequipa, conhecida por abrigar um grande número de monastérios. E foi dentro de um deles que fiz uma das refeições mais bacanas: no monastério Santa Catalina!

De lá seguimos a Puno, onde começamos a conhecer melhor as heranças da civilização inca. Na região, destacam-se as “islas flotantes” – entre elas a de Uros. Com chão de palha quase dourada, proveniente de uma planta chamada totora, o território do povoado é todo flutuante. Ali as pessoas vivem de maneira rústica, com roupas coloridas e sem pressa e contemplando a própria vida. Tudo parece viver em plena sintonia.

A imersão cultural no país ficou completa com uma viagem de trem de Puno a Cusco, feita durante um dia inteiro em uma cabine de primeira classe. Com uma taça de vinho na mão e o olhar a se perder pelas paisagens, vivemos as 10 horas do percurso como se estivéssemos em um longo passeio – e não apenas fazendo um deslocamento.

Enquanto os vagões cortavam diferentes cidades, paisagens despontavam pelas janelas, músicos surgiam nas cabines e tocavam canções peruanas. Durante o trajeto participei até mesmo de uma oficina para aprender a fazer o tradicional Pisco Sour!

Ao descer em Cusco encontramos uma cidade jovem e pulsante. E foi decisão acertada deixá-la para o fim!

As ruas íngrimes de pedra, a praça histórica e os bares completam a atmosfera mística da cidade que é ponto de partida para passeios como o Vale Sagrado e Machu Picchu. Sob a imensidão do horizonte, esses sítios arqueológicos nos fazem pensar que estamos colados no céu – devido ao balé constante das nuvens. Em Machu Picchu, as pessoas choraram, ficam em silêncio, pensam na vida. Fazem o que chamo de Travelterapia.

No dia em que visitamos fomos acompanhados por uma chuva fina, típica do verão peruano. Só que em vez de nos atrapalhar, a garoa se transformou em arco-íris duplo. E nos mostrou que naquele país havia um verdadeiro potinho de ouro escondido!

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