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Foto: Prefeitura Municipal de Ivoti/Divulgação

Relógio parado. Essa é a sensação que temos ao percorrer alguns dos pontos turísticos da cidade de Ivoti, no Rio Grande do Sul. Arquitetura, aromas, valores, sotaque e sabores são alguns dos fatores que nos fazem entrar em uma viagem sensorial e experiencial para o passado. O pequeno município de 20 mil habitantes pode ser conhecido como Cidade das Flores, mas é por meio da história que se encontra sua beleza.

Cachaça e tradição

A cachaçaria Weber Haus é um desses lugares que carrega anos de história em tudo o que faz. A poucos minutos do centro da cidade, a fábrica recebe os visitantes com imponentes tanques prateados reluzindo ao sol e o típico aroma da cachaça. Os tijolos da calçada e dos prédios nos remetem aos primeiros imigrantes da região e, logo na entrada, é possível entender a tradição que acompanha cada passo do processo de produção.

Cachaçaria Weber Haus guarda tradição em detalhes | Foto: Anelise Zanoni

Na primeira parada da visita guiada, somos apresentados à história da família Weber. Chegando em Ivoti em 1824, os primeiros Weber trouxeram consigo a tradição de produzir a “schnaps” bebida alcoólica feita a base de batatas. A tradição virou herança familiar e em 1948 a bebida começou ser comercializada, hoje a Weber Haus ganhou o mundo e ultrapassou os limites de Ivoti.

O tour guiado nos leva do brilho cor de cobre da destilaria até as os sótãos escuros e úmidos com aroma de carvalho do armazenamento da bebida. O final é a parte mais aguardada da jornada e a história se traduz em modernidade no showroom onde as cachaças produzidas estão aptas a degustação. Entre vidros e destilados, os sabores das bebidas te convencem que é quase impossível sair de lá sem alguma garrafa para recordar desses momentos.

Showroom da Weber Haus mescla modernidade com tradição | Foto: Anelise Zanoni

De volta para 1800

Passeando pela cidade, descobre-se que a Ponte do Imperador e o Núcleo de Casas Enxaimel também são alguns dos portais do tempo que resistem às mudanças. Se o início da colonização germânica da cidade data o ano de 1826, nos arredores do Arroio Feitoria, a calçada de pedras da rua Tuiuti nos recebe causando a impressão que os primeiros imigrantes ainda vivem lá.

Ponte do Imperador é marco na cidade de Ivoti | Foto: Prefeitura Municipal de Ivoti/Divulgação

Construída entre 1857 e 1864, a Ponte do Imperador é o marco dentro de Ivoti. O estilo romano da construção recebe os visitantes demonstrando toda sua imponência, são três arcos que percorrem 148 metros. Antigamente, os arcos vieram para suprir a necessidade de comércio dos moradores, hoje eles servem de cenário para fotos e admiração de turistas que visitam o local. A construção é patrimônio nacional tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. As pedras talhadas que fazem parte da construção se recusam a esmorecer com o tempo e resistem tão sólidas quanto no momento de sua produção.

Saindo da ponte, a viagem continua na arquitetura e na trilha sonora local. Caixas de som escondidas pelas ruas tocam constantemente músicas típicas alemãs. A mistura dos metais com o ambiente deixa a experiência mais vívida.

Sabor e história

A Casa Amarela traz sabor para o roteiro. Construída em 1907, era um entreposto comercial em que se realizavam trocas. Hoje, a troca é feita através do carinho depositado nas receitas produzidas pelo restaurante que serve pratos típicos alemães. Cheiros e sabores são preservados pelas típicas receitas de cucas, roscas, bolos e pães. O bolinho de batata com mostarda é uma das nossas dicas para quem passa por lá.

Floreiras cheias e cheiro de comida gostosa são características da Casa Amarela | Foto: Anelise Zanoni

Caminhando pela rua, os plátanos tornam o cenário em produção digna de filme romântico. O gramado convida para o chimarrão e a pracinha abriga e diverte as crianças que vem passear pelo local. Ao longo do caminho se encontram empreendimentos familiares de artesanato e culinária típicas da região.

O bolinho de batata com mostarda do lugar é inesquecível! | Foto: Anelise Zanoni

 

O museu de Ivoti

Fachada do Museu Cláudio Oscar Becker | Foto: Prefeitura Municipal de Ivoti/Divulgação

A rua conta com mais sete construções no clássico estilo enxaimel, mas é no Museu Cláudio Oscar Becker que realmente se respira história. A casa, que apresenta o estilo de vida do século passado, ficou 20 anos abandonada antes de ser transformada em Museu em 1995.

Hoje, são 1.600 objetos doados por moradores e famílias típicas da cidade. Os objetos estão divididos em dois andares; no primeiro há a reconstrução de uma casa típica da época; no segundo, malas de viagem, classes de aula e material de costura se multiplicam e nos contam sobre os costumes e o modo de vida da época. Entrar lá é fazer uma viagem pelo tempo e se divertir com as mudanças.

Visitar Ivoti nos ensina que preservar o passado é entender o presente, seja por tradições, objetos ou lugares.

 

 

***Texto: Eduarda Bitencourt, estudante de jornalismo e apaixonada por viagens e histórias.

 

 

 

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