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Como um imprevisto na Espanha tornou a viagem ainda mais especial

Foto: Mariana Blauth

Há poucas coisas na vida que podem ser comparadas com a sensação de quase perder um ônibus para outra cidade em um país desconhecido. Principalmente se você estiver fazendo uma viagem de baixo custo, a possibilidade de ter que reembolsar um novo ticket de transporte pode ser desesperadora. Mas o é fato que, durante qualquer viagem, os imprevistos surgem a qualquer instante e talvez um dos mais comuns seja a corrida contra o tempo para cumprir todo o roteiro.

Essa situação pode parecer muito banal, mas ela pode comprometer uma viagem. Vivi um momento como esse durante uma viagem à Espanha, onde aprendi que mesmo as coisas mais simples no quesito “planejamento” são imprescindíveis para reduzir as chances de sufocos.

Foto: Arquivo Pessoal

Eu estava com duas amigas na Espanha, onde ficaríamos uma semana. A ideia era aproveitar três dias em Barcelona e seguir rumo à Madri em um ônibus noturno. Por isso, antes da viagem, compramos as passagens e elaboramos o roteiro de forma detalhada. Tudo parecia muito bem planejado no dia de cruzar as rodovias espanholas. Com as passagens em mãos, perguntamos à atendente do hostel em que estávamos hospedadas onde ficava a rodoviária. A recomendação era de que pegássemos duas linhas de metrô e, assim que saíssemos da estação, ela estaria logo à frente.

Tendo isso mente, planejamos uma folga de duas horas em relação ao horário da partida do ônibus, para que não houvesse nenhuma chance de perdê-lo. À noite, deixamos o hostel e fomos até um restaurante próximo. Foi nesse momento que os imprevistos começaram a surgir. O pedido demorou tanto para ficar pronto que tivemos que conversar com os atendentes para nos concederem prioridade na fila. À medida em que olhávamos para o relógio, surgia o desespero.

Foto: Arquivo Pessoal

Quando o lanche finalmente ficou pronto, saímos às pressas. Correndo pelas ruas de Barcelona com mochilas pesadas nas costas e segurando porções de batatas fritas e frango empanado, iniciamos a prova contra o tempo. Chegamos à estação de metrô e mal conseguíamos conter a adrenalina provocada pela possibilidade de perder o ônibus. Afinal, estávamos com pouco dinheiro para comprar outra passagem.

Depois do trajeto, saímos da estação de metrô e, para nossa surpresa, a rodoviária não estava à frente. Espantadas, reiniciamos nossa corrida pelas ruas. A cada pessoa que cruzava nosso caminho, pedíamos informação em uma mistura de inglês, espanhol e português.

Faltava 15 minutos para a partida do ônibus quando descobrimos que a rodoviária demandaria uma longa caminhada. Corremos o que pareceu um trajeto infinito e avistamos a rodoviária, mas o local era tão imenso que, no escuro, não sabíamos por onde deveríamos ir para chegar à entrada.

Foto: Arquivo Pessoal

Cinco minutos restantes até a partida. É impressionante como, nessas situações, pode surgir alguém na hora e lugar certos. Na sinaleira, parou um taxista e não tivemos dúvidas. Corremos tão depressa em sua direção no meio dos carros que ele ficou assustado. Felizmente, nos levou com eficiência até a rodoviária, nos deixando no portão mais próximo do ônibus. Mal tivemos tempo de agradecê-lo e corremos desesperadas novamente.

Com muita adrenalina em nossos corpos, por sorte, entramos no ônibus um minuto antes da partida. E aí, eu entendi: o planejamento é fundamental durante uma viagem a terras desconhecidas, principalmente quando você depende de horários. Parece óbvio, mas, às vezes, você comete o deslize de não pesquisar sobre o que deve fazer e como chegar aos lugares. Foi um momento marcante e cômico da viagem, mas o mais importante é que, depois dele, me sinto mais experiente e preparada para lidar com os imprevistos nas próximas viagens que fizer. Também aprendi a rir dos pequenos sufocos que a vida nos proporciona.

  • Mariana Blauth é jornalista, gaúcha, passou sufoco mas ama ainda mais viajar.

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