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Cinco lugares para explorar na Barra da Tijuca

Pôr do sol na Barra, inesquecível. Foto: Clarissa Ciarelli

A Barra da Tijuca, no Rio, é uma região menos óbvia para quem vem de fora aproveitar as tantas coisas típicas da Cidade Maravilhosa. Mas não menos bonita e cheia de coisas legais pra fazer.

A Barra, como é conhecida por aqui, sofre muito preconceito pelos cariocas: não tem a tradição dos clássicos bairros da Zona Sul, é “longe” de lá e povoada pelos “novos ricos”, que esbanjam e andam de carro conversível pela orla, em meio a condomínios de nomes em inglês que lembram resorts e dão uma cara de “Miami” a este pedaço da cidade.

Festival de cores no céu da Barra. Foto: Clarissa Ciarelli

Mas as pessoas que chegam a passeio, e não estão nem aí para os rótulos, conseguem desfrutar de uma das praias mais lindas, espaçosas e agradáveis do Rio. Tem a muvuca na medida certa (aquele charme que só as praias do Rio têm): gente vendendo biscoito Globo, mate, cangas, biquínis, óculos e empadas. Mas também tem mais espaço na areia, uma extensão gigante de mar – perfeito para a prática de esportes como kitesurfe, surfe e stand up – e um pôr-do-sol daqueles de querer ficar pra sempre ali.

Sou gaúcha e, desde que me mudei pro Rio, moro na Barra, o que me faz agradecer todos os dias pela oportunidade. São anos de inverno para compensar com caminhada no calçadão e caipirinha nos botecos (desculpem o post repleto de referências etílicas, estou grávida, cheia de desejo reprimido…). Em tempos de Rock in Rio, a Barra, cheia de hotéis novinhos em folha, é uma boa pedida para hospedagem. Aqui vai uma pequena lista de locais a explorar nas redondezas.

O que conhecer na Barra da Tijuca

A praia e seus quiosques

Bom, já falei sobre a praia acima, mas os quiosques são atrações à parte, em especial os próximos ao posto 3. O quiosque do Pepê, que reverencia até hoje o antigo dono, surfista e campeão de voo livre que morreu em um acidente de asa delta, é um dos points mais famosos. Tem um deck, play para as crianças e serve bons drinks, açaí e petiscos.

Nos fins de semana de sol, o fim de tarde reúne uma pequena multidão, em geral em torno de um show de música ao vivo ou um DJ. Mas não é o meu favorito. Antes dele, para quem vem da Olegário Maciel, tem o K-8, que é o point da galera do kitesurf.

Além das mesinhas na calçada, tem lounges na areia e redes penduradas nas árvores, num clima mega praiano-chique-descontraído, sempre com uma trilha sonora caprichada. Serve açaí bom também e, aos fins de semana, um bufê de café da manhã bem lindo. Quando venta, o mar ali em frente se enche daqueles kites coloridos no céu, numa paisagem linda de se ver.

O K8 é um ambiente super legal para levar crianças também. Foto: Arquivo Pessoal

Caminhando mais um pouco em direção ao Pepê, vale a parada no Clássico Beach Club, outro que é rodeado de espreguiçadeiras deliciosas. E um “parquinho” de madeira para as crianças na areia, na sombra de uma árvore, ideal para os dias quentes. E para os papais tomarem um Aperol Spritz enquanto as crias correm e pulam.

As festas pós-praia no fim de tarde de verão “bombam”. E tem o Aloha, depois do Pepê, em frente à Praça do Ó, que já falamos em um post aqui. Quando colocam uma mulher pra tocar violino lá no fim da tarde ele se torna imbatível, embora o atendimento às vezes deixe a desejar.

Foto: Divulgação Aloha Rio

O Quebra-Mar

Pra quem quiser dar um passeio de bicicleta e ver uma paisagem bacana da Barra, pode pedalar até a região conhecida como Quebra-Mar, exatamente onde a praia da Barra “começa”, antes do posto 2, próxima ao Morro da Joatinga. Ali tem um píer em direção ao mar, onde os pescadores gostam de ficar, tentando fisgar alguma coisa em meio às ondas que batem nas pedras.

Lá de cima, se tem uma visão da praia da Barra e a gente parece colado na Pedra da Gávea, o que rende fotos legais. Descendo até a praia, é um lugar onde se alugam pranchas de stand-up padle e dão aulas do esporte. Para dias de mar calmo, é uma pedida.

Foto: Clarissa Ciarelli

Olegário Maciel, a rua feliz

Coração da região da Barra conhecida como Jardim Oceânico, próxima aos postos 2 e 3, a Avenida Olegário Maciel concentra uma diversidade de comércio, a maioria restaurantes e barzinhos, que lotam aos fins de tarde pós-praia e à noite.

Uma amiga que trabalhou com britânicos da BBC que vieram cobrir as Olimpíadas aqui no ano passado apelidaram a rua de “Happy Street”. Eles costumavam marcar happy hours lá. Achei essa definição perfeita. Bom, pra gente que mora aqui, sabe que não é bem assim, que tem os mendigos e pedintes em frente às lojas, tem um pouco de sujeira nas manhãs depois das noitadas…

Mas, sim, se você percorrer a Olegário num fim de tarde, verá sim uma rua feliz, com várias tribos convivendo: a galera que curte música eletrônica, o pessoal do samba, os “tios” da Harley Davidson, as famílias tomando sorvete. Tem boteco, sorveteria, restaurante japonês, hamburgueria, restaurante árabe, bar que faz churrasco na hora. Confira aqui dicas de onde comer.

Ilha da Gigoia

Um lugar um pouco escondido na entrada da Barra, que não está nos roteiros turísticos típicos para quem vem ao Rio, é a Ilha da Gigoia, que faz parte de um arquipélago de ilhas na Lagoa do Marapendi, na Barra. Descobrimos este lugar, é claro, indo atrás de um boteco, o famoso Bar do Cícero.

Para chegar lá, tem todo um esquema: você tem que pegar uns barquinhos que ficam indo e vindo toda hora, transportando moradores da ilha e clientes dos restaurantes que funcionam lá.

Foto: Divulgação Bar do Cícero

Um dos pontos de acesso é próximo ao shopping Barra Point, onde é possível estacionar, pra quem for de carro. O acesso é ao lado do posto de gasolina Shell, que fica ao lado do shopping. (Se você descer no Barra Point e perguntar, vai chegar lá!). E rende belas fotos da Pedra da Gávea ao fundo da lagoa que circunda a ilha. No Bar do Cícero, a pedida são os pastéis de camarão e siri, acompanhados de chope ou caipirinha.

Deck do Village Mall

Agora eu sei que apelei. Quem vem ao Rio pra conhecer deck de shopping? Tá bom, tá bom. Mas… Dependendo da circunstância e da vontade de dar uma variada nessa combinação clássica praia-boteco, por que não? O Village Mall é um shopping de luxo, onde estão as lojas mais caras da cidade. Mas, para as pessoas comuns, onde a gente se inclui, tem um dos melhores cinemas, bons restaurantes e um deck com vista para a Pedra da Gávea onde promovem eventos interessantes.

Já fomos num festival de churrasco e num de vinho lá. Se o tempo estiver bom, é uma delícia se sentar nos lounges ao ar livre e ficar batendo papo regado a bons drinks.

 

** Texto de Clarissa Ciarelli, jornalista e uma das fundadoras do Travelterapia

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