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Aventura e desapego na ilha sul da Nova Zelândia

Uma das maiores #TravelTerapias da minha vida foi na Nova Zelândia. Não é pra menos, já que o destino por si só é sinônimo de grandes viagens e paisagens deslumbrantes. Embarquei um dia depois da minha formatura em Jornalismo (um dia!!!), com o objetivo de cair no mundo e ganhar experiência de vida.

Meu namorado (hoje, marido), havia ganho um mês extra de férias no trabalho. Então tínhamos dois meses para visitar grandes amigos nossos que estavam morando lá, treinar o inglês e viajar o que conseguíssemos, trabalhando em cafés e outros empregos quaisquer.

Foi em 2005 e não sei quantos textos seriam necessários pra contar tudo o que aprendemos lá. É um país com uma qualidade de vida sem igual, uma natureza exuberante e um povo acolhedor. Apesar da forte influência dos colonizadores ingleses, os locais (maoris) preservam e honram suas raízes, e, quando você começa a descobrir as lendas e as tradições deles, é impossível não se apaixonar.

Nos instalamos na cidade de Mount Maunganui, na ilha norte, uma cidade simpática cujo principal atrativo é o monte que lhe dá nome. Tem praias bonitas e bons cafés e restaurantes, onde aprendi a fazer expressos, cappuccinos e “lattes” e onde juntei um dinheiro, enquanto o Alberto trabalhou embalando peixes em uma empresa.

Quando chegamos a uma quantia razoável, deixamos nossos “empregos” e partimos para a grande viagem dentro da viagem. Ah, a doce liberdade e a coragem sem fim dos vinte e poucos anos!!! Com dinheiro contado, decidimos percorrer a ilha sul do país de carro, de costa a costa. Só os dois: ele, dirigindo na mão inglesa, eu, com o mapa de papel a nos guiar. Foram dez dias de aventuras, emoções, contato com as mais diferentes e lindas paisagens e teste de limites.

Rodávamos horas sem ver gente, em compensação, ovelhas… Foto: Arquivo Pessoal

Partimos cada um com uma mochila, pouquíssimas peças de roupa, alguns apetrechos de camping emprestados (fogão, barraca e utensílios de cozinhar), nossas câmeras e a mente aberta para o que o caminho nos apresentasse. Fomos de uma ilha a outra de ferry boat e, em Wellington, pegamos o carro alugado. Com o dinheiro que tínhamos, seria preciso alternar noites em campings com noites em hostels. Não tínhamos reservas, pois não queríamos amarras caso fosse preciso ou desse vontade de ficar mais tempo em algum lugar. Se tudo desse errado, dormiríamos no carro.

A partida, na estação do ferry boat. Foto: Arquivo Pessoal

A primeira parada foi em uma loja de departamentos para comprar roupas quentes, pois subestimamos o frio que faz no “verão” da ilha sul: em fevereiro dá pra encarar um blusão de gola alta tranquilamente. Depois, fomos a um supermercado e nos abastecemos de comida.

De carro pela Nova Zelândia

Seguimos para uma média diária de oito horas de viagem de carro, entre montanhas cobertas de neve, cachoeiras, lagos magníficos, campos cheios de ovelhas e praias. Ficávamos horas e horas sem ver seres humanos, só bichos e natureza. É um lugar muito preparado para quem curte este tipo de viagem: em vários pontos da estrada há recuos com mesas e bancos onde é possível parar e fazer uma refeição contemplando a paisagem. Tínhamos um fogãozinho de uma boca que funciona com um gás / spray, e não nos apertávamos.  

Nossas refeições de beira de estrada e em parques eram assim. Foto: Arquivo Pessoal

Os campings na Nova Zelândia são extremamente bem estruturados, onde é possível tomar um bom banho, lavar roupas e comer em cozinhas bem equipadas. E há sempre onde alugar sacos de dormir e equipamentos para acampar.

Perrengues na estrada

Claaaro que passamos alguns perrengues: essa ideia de chegar às cidades, a maioria delas, pequenas, e bater na porta dos hostels em busca de hospedagem não foi das melhores! Às vezes era fim do dia e não tínhamos onde dormir. Em geral, resolvíamos com campings ou gastando mais do que estava previsto. Mas uma noite não teve jeito: dormimos no carro mesmo.

Num passeio a um parque nacional, consegui a “proeza” de fechar o carro com a chave dentro. Estávamos longe de tudo, e o preço que pagamos para que um chaveiro nos ajudasse comprometeu a hospedagem daquele dia. Estacionamos em um lugar deserto da reserva, jantamos e dormimos (bem mal) nos bancos dianteiros do carro. Sabe-se lá que riscos corremos, mas viva o desapego dos vinte e poucos anos!

O verde do Lake Tekapo é incrível. Foto: Arquivo Pessoal

Fora isso, os dias eram uma sucessão de lugares lindos. Quando o dinheiro acabou, devolvemos o carro e voltamos para Mount Maunganui, onde precisamos voltar a trabalhar para seguir mais um tempo no país.

Acho que nunca na vida vamos ser tão desapegados em uma viagem, mas, sinceramente, espero que a gente consiga. Se tudo der certo, ainda vamos alugar um motor home e refazer essa viagem, levando nossos filhos.

Visita à geleira Fox Glacier. Foto: Arquivo Pessoal

É impressionante ver a natureza em seu esplendor, protegida das interferências humanas. Que é triste pensar isso, mas em muitos momentos você olha tudo aquilo e pensa: “ainda bem que não tem gente pra estragar isso aqui”. Precisamos passar adiante a lição de que é preciso pouco, muito pouco para sermos felizes. E de que somos muito pequenos diante desta natureza gigante que países como a NZ sabem preservar.

Trilha pela geleira Fox Glacier. Foto: Arquivo Pessoal

Nova Zelândia é para quem gosta de aproveitar a natureza

 

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